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Desconhecia Tua Dor

  Me perdoe quando me inflamei.   Com língua em brasa te feri, te machuquei.   Era a mim que eu via no brilho incerto dos olhos teus,   Era só medo que eu sentia por temer mais um adeus.   Era a mim que eu não conhecia. Meu próprio terror gritava e eu escondia,   num mar de agonia. Desespero. Te perdi, por ter medo. Perdão. Desconhecia tua dor.

Por Nós

Caminhamos de encontro ao nada, Andando com pés soltos, sem destino. Olhares sem freios, de mãos dadas. Éramos então, apesar de tanto e tudo, dois meninos.   E de encontro à nossa pele, sem reservas vinha A água salgada, tantas lágrimas, fria. Mas, ao contrário de nossos rostos, agora despidos, Eram os nossos pés que banhava aquele mar.   Não era preciso palavras, Não tínhamos nada a dizer. Estava claro, como aquele sol de fim de tarde, Que, apesar de tantas coisas já ditas e escritas, Podíamos ali, até mesmo morrer, Pois sabíamos, eu sabia, sabia também você, Nada seria capaz de explicar o amor tão grande, coisas apenas sentidas. Por nós.

Vastidão

  Na vastidão da memória adormecida, preenchida de ecos de tempos passados, emerge a saudade, ferida tão sentida, invadindo a alma em suspiros desgarrados.   Um oceano de tristeza se derrama nas cavernas profundas do coração aflito. Amores consumidos nas cinzas  da chama, lavas de um vulcão não contido.   É uma melancolia que entrelaça o corpo, a alma, a mente. É um sofrer que abraça, enlaça com uma saudade ardente.   Um amor de suspiros que amanhece envolto em véus de ausência e solidão. Acordando a alma que padece na bruma fria da escuridão.   É uma saudade que dói doída, uma ausência que não se esquece. Uma lembrança que vem corrompida por um ai que enlouquece.   É uma voz que fala distante ecoando um queixume de solidão. É um abraço no vazio escaldante do vazio da imensidão.   É mão vazia, memória cheia. Sabor amargo de angústia. É fogo frio, pegada na areia. O último beijo de n...

Choro Mudo

 Minhas melhores poesias nascem não quando o lápis dança em minha mão, mas quando ouço o que o coração expurga. Doente. Gangrenado.  Sofre alienado,  enraizado em convicções que os tolos esperam ouvir de mim. A vida é triste, sussurra ela. Não! - grito, dedo em riste –  Não poderia ser mais bela. É boa, é maravilhosa.  Essa voz convicta esconde mais que mazelas, esconde a mentira odiosa de que, para mim, a vida é dor.  Mofo, amargor, torpor, odor. Um apodrecimento que devorou minha alma,  e agora, sou casca vazia que se derrama em lágrimas - escondidas - porque é tudo o que me restou. De tudo.  Um oceano que me afoga todas as noites.  Choro mudo.

Saido das Entranhas

  Saiu das minhas entranhas, estranha criatura, nua. Rebento de dor e desventura.   Eu, arrebentada, separada, entre o que era e o que se fez, um tumulto profundo, uma dor que não sabia ser amor.   Transformava-me, mas em quê? O amor nasce ou se transforma? A dúvida se enraiza, no âmago de um eu vergonhoso.   Amava-o aqui dentro, no fundo do mais sombrio eu. Abaixo de minha vergonha mais escondida, onde aguento ser apenas breu.   Então era aquilo parte minha. Uma mistura conturbada, parte ele, parte ferida, Nunca parte amada. Nunca parte querida. Era dois, no entanto, eu era só. Pedaço de alguém em mim, eu, pedaço em ninguém.

Não Me Vi Partir

 De repente me dei conta de um ausente. Era eu,  mas eu não me vi ali.  Era um vazio. Um vácuo.  Um frio. Inclemente. Cheguei, mas não me vi partir.  Onde me deixei? Só vi, incrédula, a passagem do tempo, esse tormento, que seguiu sem me avisar que minha hora ia chegar.  Mas que lamento. Que hora é essa se não uma saudade ímpar, um lamento do que sou, mas não fui. Na penumbra do tempo me descobri. Um eco solitário, presa em mim mesma.  Cheguei à vida, mas não me vi partir. Onde me deixei? Em que esquina me esqueci? A passagem como um rio sem margens seguiu seu curso, sem aviso, sem piedade. Espalhando-se. Sozinha me deixou. E eu, incrédula, assisti à dança das horas  enquanto o relógio marcava meu destino. Ah, que lamento! Não era apenas saudade, era um vazio profundo, uma dor sem idade.  Ressentimento. As memórias se entrelaçavam como fios de teia dos momentos e eu, perdida na trama do esquecimento. Quem fui eu? Quem sou agora? Um espectro d...

No Final, Quem Se Importa?

 Quem se importa, no final? Depois de duas horas, palavras cansam, pessoas se entediam. No final, quem se importa com o que você é, o que você faz, com o que você sente? Ninguém... Quando os atos não são fatos e tudo o que se tem são promessas Vazias. Como o ar, desvanece. O que sobra é a raiva. Sempre quieta. Calada. Mal amada. Velada!