Uma poesia profunda sobre saudade, ausência e as pequenas memórias que continuam existindo silenciosamente dentro da rotina e da alma.
A mesa vazia.
Duas xícaras ainda mornas.
O vento entrou pela janela
e levou teu cheiro —
mas não levou você de mim.
O que ficou
foi um resto de nós espalhado pela casa.
Um café sem açúcar.
Um gole pela metade.
Uma conversa que nunca aconteceu.
E talvez seja isso que mais dói:
as histórias que não chegaram até o fim.
Há uma solidão silenciosa nas louças sujas.
Na cadeira vazia.
No hábito que continua existindo mesmo depois da despedida.
Ninguém percebe.
Mas eu percebo.
Todos os dias.
Porque algumas ausências não desaparecem.
Elas apenas aprendem a morar nas pequenas coisas.
Reflexões e escrita autoral © Pris Magalhães