Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo poesia feminista

Florescer em carne viva

  Eu floresço mesmo quando o mundo é inverno Antes de qualquer palavra, houve silêncio. E nele, eu aprendi a caber onde nunca fui inteira. Eu fui silêncio antes de ser voz. Fui sombra ensinada a não ocupar espaço, corpo dobrado em caber no mundo dos outros, nome sussurrado — quando não apagado. Eu fui a que baixava os olhos para não incendiar o desconforto alheio. Fui a carne educada no medo, no “não pode”, no “não deve”, no “não é seu”. Por milênios, fui ferida aberta que ninguém ousava chamar de dor. Sangrei em segredo — não só o sangue do ventre, mas o sangue da história, das mãos contidas, das palavras engolidas, dos sonhos interrompidos antes de nascer. Fui chamada de fraca enquanto sustentava o mundo nas costas. Fui chamada de louca quando finalmente comecei a sentir. Fui chamada de tudo menos aquilo que sempre fui: inteira. Mas há um momento — há sempre um momento — em que o silêncio apodrece na garganta. E então eu vejo. Vejo o que me negaram. Sinto o que me p...