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Mostrando postagens com o rótulo poesia sobre sofrimento

Noite em vozes

Poesia sobre dor e solidão: a noite veste o meu delírio Tem noites que não passam elas se instalam e fazem da gente morada do que não cicatriza A noite é longa e veste o meu delírio, minha alma é feita em véus e porcelana. Sangro desejos num soneto lírio, sou sombra que no espelho se profana. O mundo dorme... eu bebo o desvario do medo em taças sujas de desgosto. Queria amar, mas tudo está tão frio, e o tempo é só um anjo sem rosto. Ó Frida Kahlo , irmã de dores e de abismos, ouve meus ais, responde aos meus sinais! Como suportas viver assim, tão só? Florbela Espanca , flor que arde em céu sem chão, eu pinto a dor pra que ela me escorra. Minha alma é uma ferida em combustão, e cada cor é lágrima que borra. Eu rio enquanto sangro em retaliação. Faço do medo um bicho que me lambe. Fui traída até pelo meu coração — mas o transformei num altar que arde. A noite me quer morta, eu sei. Eu sinto. Mas costuro os pedaços com meu grito e me penduro no tempo como um quadro. Ah, Frida K...

Ah, se me deixassem apenas dormir

Poesia sobre dor profunda: entre a ferida e a arte, eu ainda existo Tem dores que não gritam elas queimam por dentro e a gente aprende a continuar mesmo em brasa Com os pés no abismo e a alma em brasa, Piro-me em Florbela Espanca , rasgo-me em Frida Kahlo — meus olhos sangram tintas que não passam, minha carne, em febre muda, se liquida. Carrego no peito um peso que não é pedra, é punhal de ausência, é silêncio cru, é um grito soterrado em boca selada, é o choro que nunca vê a luz. É névoa sem nome e cor, é um vulto que se deita em meu leito, me beija a fronte com hálito de dor e me costura os sonhos no peito. É uma morte que caminha viva, um cansaço que atravessa o osso, um eco que nunca finda, uma ânsia de sumir no fosso. Há dias em que não sou nem sombra. Sou menos que o som do que fui. Há noites em que até as lágrimas cansadas já não fluem. Minha pele dói sem toque, sem motivo, minha espinha verte memórias frias. A alma, desbotada de adjetivos, se arrasta entre os escombros dos di...