Poesia sobre dor e solidão: a noite veste o meu delírio Tem noites que não passam elas se instalam e fazem da gente morada do que não cicatriza A noite é longa e veste o meu delírio, minha alma é feita em véus e porcelana. Sangro desejos num soneto lírio, sou sombra que no espelho se profana. O mundo dorme... eu bebo o desvario do medo em taças sujas de desgosto. Queria amar, mas tudo está tão frio, e o tempo é só um anjo sem rosto. Ó Frida Kahlo , irmã de dores e de abismos, ouve meus ais, responde aos meus sinais! Como suportas viver assim, tão só? Florbela Espanca , flor que arde em céu sem chão, eu pinto a dor pra que ela me escorra. Minha alma é uma ferida em combustão, e cada cor é lágrima que borra. Eu rio enquanto sangro em retaliação. Faço do medo um bicho que me lambe. Fui traída até pelo meu coração — mas o transformei num altar que arde. A noite me quer morta, eu sei. Eu sinto. Mas costuro os pedaços com meu grito e me penduro no tempo como um quadro. Ah, Frida K...
Poesia contemporânea brasileira sobre amor, saudade, ausência e memória afetiva. Versos autorais de Pris Magalhães para quem sente o que nem sempre sabe nomear.