Aquilo que não se nomeia
Poesia sobre sentir sem entender: quando o amor vira um quase Tem sentimentos que não cabem em nome nenhum só ficam ali entre o que foi e o que nunca chegou a ser não sei o que sinto — é um oco suspenso entre mim e ti, um intervalo que respira onde antes havia nome, gesto, calor um vazio em volta do que fomos que não chega a ser querer, mas também não aceita o esquecimento é um quase, um resto, um eco do que não fomos aquela ausência não dói como falta, não chama, não grita — mas às vezes queria vê-la outra vez, como quem revisita um sonho sem saber se acorda ou permanece há uma cor que se desfaz devagar como tarde que se cansa de existir, e nela a melancolia: de ter visto um brilho inteiro de uma infância que talvez pudesse ter sido outra eu inteira no seu inteiro — era possível, eu acho — mas nos dissolvemos naquela nuvem que apontamos no céu azul daquela tarde de verão “é um coração”, eu disse “não, é uma árvore”, disse você e assim ficou: indefinido como tudo que fomos talvez ambos...