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Mostrando postagens de abril, 2026

Aquilo que não se nomeia

Poesia sobre sentir sem entender: quando o amor vira um quase Tem sentimentos que não cabem em nome nenhum só ficam ali entre o que foi e o que nunca chegou a ser não sei o que sinto — é um oco suspenso entre mim e ti, um intervalo que respira onde antes havia nome, gesto, calor um vazio em volta do que fomos que não chega a ser querer, mas também não aceita o esquecimento é um quase, um resto, um eco do que não fomos aquela ausência não dói como falta, não chama, não grita — mas às vezes queria vê-la outra vez, como quem revisita um sonho sem saber se acorda ou permanece há uma cor que se desfaz devagar como tarde que se cansa de existir, e nela a melancolia: de ter visto um brilho inteiro de uma infância que talvez pudesse ter sido outra eu inteira no seu inteiro — era possível, eu acho — mas nos dissolvemos naquela nuvem que apontamos no céu azul daquela tarde de verão “é um coração”, eu disse “não, é uma árvore”, disse você e assim ficou: indefinido como tudo que fomos talvez ambos...

Florescer em carne viva

  Eu floresço mesmo quando o mundo é inverno Antes de qualquer palavra, houve silêncio. E nele, eu aprendi a caber onde nunca fui inteira. Eu fui silêncio antes de ser voz. Fui sombra ensinada a não ocupar espaço, corpo dobrado em caber no mundo dos outros, nome sussurrado — quando não apagado. Eu fui a que baixava os olhos para não incendiar o desconforto alheio. Fui a carne educada no medo, no “não pode”, no “não deve”, no “não é seu”. Por milênios, fui ferida aberta que ninguém ousava chamar de dor. Sangrei em segredo — não só o sangue do ventre, mas o sangue da história, das mãos contidas, das palavras engolidas, dos sonhos interrompidos antes de nascer. Fui chamada de fraca enquanto sustentava o mundo nas costas. Fui chamada de louca quando finalmente comecei a sentir. Fui chamada de tudo menos aquilo que sempre fui: inteira. Mas há um momento — há sempre um momento — em que o silêncio apodrece na garganta. E então eu vejo. Vejo o que me negaram. Sinto o que me p...