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Um Amor para Esquecer o Tempo

Há sentimentos que continuam vivos mesmo depois do silêncio, do tempo e da distância  

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Reflexões e escrita autoral © Pris Magalhães

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Entre Gente, Ninguém

  Poesia sobre se sentir invisível: me desfiz no meio da multidão Tem gente que some mesmo cercada de pessoas não porque quer mas porque ninguém fica No meio da multidão, me desfiz. Rodeada, fui sumindo por dentro. Chamam isso de vida... mas que diz a alma que se estreita em sofrimento? São tantos os que olham sem me ver, palavras ocas, toques sem calor. Conversam pra não ter que perceber que estou morrendo à margem do amor. Dizem: “Sente demais”, como um defeito. “Se entrega tanto”, como quem condena. Mas quem me amou sem peso, sem conceito? Quem viu a flor nascida em terra plena? Aos poucos, fui murchando, em silêncio, me encolhi para caber nos esquecidos. Meu peito foi do abismo ao reverêncio, hoje é grão de areia entre ruídos. Me usam. Me descartam. Me sorriem. Não sabem do vazio que carrego. E mesmo assim, meus passos ainda seguem na névoa dos espelhos onde nego. A esperança virou hábito, rotina. E o afeto, um deserto sem alarde. O que chamam de amor se contamina com...

Coisas Sentidas, Sem Voz

Nem tudo precisa ser explicado para existir. Algumas emoções permanecem silenciosas — mas eternas dentro de quem as viveu. Tudo o que vivemos existe — mesmo que ninguém saiba, mesmo que o mundo tenha seguido. Há coisas que não se dizem. Mas se sentem. Ficam ali: entre uma respiração e outra, entre um olhar e o fim. Não há verso que explique, nem gesto que baste. Há o que se sente. E isso, só nós sabemos. Reflexões e escrita autoral © Pris Magalhães

Ah, se me deixassem apenas dormir

Poesia sobre dor profunda: entre a ferida e a arte, eu ainda existo Tem dores que não gritam elas queimam por dentro e a gente aprende a continuar mesmo em brasa Com os pés no abismo e a alma em brasa, Piro-me em Florbela Espanca , rasgo-me em Frida Kahlo — meus olhos sangram tintas que não passam, minha carne, em febre muda, se liquida. Carrego no peito um peso que não é pedra, é punhal de ausência, é silêncio cru, é um grito soterrado em boca selada, é o choro que nunca vê a luz. É névoa sem nome e cor, é um vulto que se deita em meu leito, me beija a fronte com hálito de dor e me costura os sonhos no peito. É uma morte que caminha viva, um cansaço que atravessa o osso, um eco que nunca finda, uma ânsia de sumir no fosso. Há dias em que não sou nem sombra. Sou menos que o som do que fui. Há noites em que até as lágrimas cansadas já não fluem. Minha pele dói sem toque, sem motivo, minha espinha verte memórias frias. A alma, desbotada de adjetivos, se arrasta entre os escombros dos di...