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Ah, se me deixassem apenas dormir

Poesia sobre dor profunda: entre a ferida e a arte, eu ainda existo Tem dores que não gritam elas queimam por dentro e a gente aprende a continuar mesmo em brasa Com os pés no abismo e a alma em brasa, Piro-me em Florbela Espanca , rasgo-me em Frida Kahlo — meus olhos sangram tintas que não passam, minha carne, em febre muda, se liquida. Carrego no peito um peso que não é pedra, é punhal de ausência, é silêncio cru, é um grito soterrado em boca selada, é o choro que nunca vê a luz. É névoa sem nome e cor, é um vulto que se deita em meu leito, me beija a fronte com hálito de dor e me costura os sonhos no peito. É uma morte que caminha viva, um cansaço que atravessa o osso, um eco que nunca finda, uma ânsia de sumir no fosso. Há dias em que não sou nem sombra. Sou menos que o som do que fui. Há noites em que até as lágrimas cansadas já não fluem. Minha pele dói sem toque, sem motivo, minha espinha verte memórias frias. A alma, desbotada de adjetivos, se arrasta entre os escombros dos di...

Entre as marés do que fomos

Na beira daquela praia de areia branca,   meus pés afundavam como cicatrizes na memória — fundidos à carne.   O mar dormia.   Dormia com olhos entreabertos, como quem guarda segredos de amantes afogados.   Só quem já amou de ventre aberto entenderia aquele murmúrio salgado.   Havia uma ponte — pequena, torta, feita de madeira esquecida —   um cais cansado onde o tempo largava o corpo pra ouvir o vento gemer.   E então veio a voz.   Rasgada. Cheia de ferrugem. Canto que não canta — corta.   Tem barco à vela e um amor verdadeiro.   Quem chegar primeiro pode navegar. Só não disse que poderia também sangrar... Ele.   Meu amor-senhor, cravado em mim como promessa não cumprida.   Tinha mãos de prece e ombros onde o mundo ia chorar em silêncio.   O peito era abrigo e tempestade — abrigo da tempestade.   E a voz...   a voz que uma vez me chamou de...

Coisas Sentidas, Sem Voz

Nem tudo precisa ser explicado para existir. Algumas emoções permanecem silenciosas — mas eternas dentro de quem as viveu. Tudo o que vivemos existe — mesmo que ninguém saiba, mesmo que o mundo tenha seguido. Há coisas que não se dizem. Mas se sentem. Ficam ali: entre uma respiração e outra, entre um olhar e o fim. Não há verso que explique, nem gesto que baste. Há o que se sente. E isso, só nós sabemos. Reflexões e escrita autoral © Pris Magalhães

Um Amor para Esquecer o Tempo

Há sentimentos que continuam vivos mesmo depois do silêncio, do tempo e da distância    Poesia Poemas Autorais Sentimentos Amor Silencioso Reflexões Escrita Feminina Emoções Poesia Contemporânea Textos Sensíveis Alma Feminina Reflexões e escrita autoral © Pris Magalhães

As Coisas que Moram no Corpo

 Há amores que partem da vida, mas continuam existindo silenciosamente na memória da pele. No meu corpo moram coisas. Coisas que não nomeio. Coisas que têm a forma do seu abraço. A pele guarda toques como quem coleciona histórias. E cada história tem seu fim marcado em carne viva. Você ainda mora na curva do meu ombro, na dobra dos meus joelhos, no lado esquerdo do meu sono. E isso ninguém vê. Mas eu sinto — quando respiro, quando fecho os olhos, quando esqueço que não te esqueci.

Duas Xícaras e o vento

Uma poesia profunda sobre saudade, ausência e as pequenas memórias que continuam existindo silenciosamente dentro da rotina e da alma . A mesa vazia. Duas xícaras ainda mornas. O vento entrou pela janela e levou teu cheiro — mas não levou você de mim. O que ficou foi um resto de nós espalhado pela casa. Um café sem açúcar. Um gole pela metade. Uma conversa que nunca aconteceu. E talvez seja isso que mais dói: as histórias que não chegaram até o fim. Há uma solidão silenciosa nas louças sujas. Na cadeira vazia. No hábito que continua existindo mesmo depois da despedida. Ninguém percebe. Mas eu percebo. Todos os dias. Porque algumas ausências não desaparecem. Elas apenas aprendem a morar nas pequenas coisas. Reflexões e escrita autoral © Pris Magalhães

Tudo o Que Não Foi Dito

 Há sentimentos que não chegaram a existir no mundo, mas continuam vivos silenciosamente dentro da memória. Não dissemos. Porque dizer era correr o risco de rasgar o que ainda se sustentava em silêncio. Ficamos no quase. Nas entrelinhas, no toque que hesita. Tudo o que não foi dito virou poesia no meu peito. Mas uma poesia sem papel, sem caneta, sem voz. Só as lembranças sabem recitar. Reflexões e escrita autoral © Pris Magalhães